Dr. Marcos da Cunha Sales Filho
Clínica Geral · Saúde Metabólica · Manejo de Peso
Análise de Exames — Resultados Laboratoriais & Bioimpedância

Susana Alves de Siqueira

Nascimento: 21/06/1989 (37 anos) Sexo: Feminino Laboratório: Unimed Uberlândia
Contexto clínico: 37 anos, IMC 39,7 (obesidade grau II), peso 124,4 kg, ganho ponderal progressivo após as gestações; PA limítrofe (efeito jaleco branco), nunca medicada; ~12 anos sem exames. Sem contraindicação nos exames — início programado de tirzepatida 2,5 mg em 25/06/2026. Achados centrais: resistência insulínica franca e deficiência grave de vitamina D.
Coleta 24/06/2026 · Unimed · painel pré-tratamento Bioimpedância 124,4 kg · IMC 39,7
I.Síntese do Quadro

Resistência insulínica franca — o eixo central. A glicemia de jejum está normal (86), mas às custas de hiperinsulinismo importante: insulina basal 39,8 µU/mL e HOMA-IR 8,45 (muito acima do referencial). A HbA1c de 5,90% já entra na faixa de pré-diabetes/alto risco. A tirzepatida tem indicação plena — age exatamente neste eixo (emagrecimento + sensibilização à insulina).

Deficiência grave de vitamina D. 25-OH-vitamina D em 11,7 ng/mL, com PTH reativo elevado (76,7) — hiperparatireoidismo secundário à hipovitaminose D. É prioridade de reposição já no início do tratamento.

Dislipidemia mista, padrão de resistência insulínica. LDL 158,5 · não-HDL 191 · triglicérides 176 elevados, com HDL baixo (37) — o perfil clássico que acompanha a RI e que responde bem a perda de peso, ajuste alimentar e exercício.

Inflamação sistêmica de baixo grau (VHS 61 · PCR 5,5), atribuível à adiposidade, com homocisteína normal (10,7) como contraponto. Reversível com emagrecimento. Demais eixos tranquilizadores: fígado, rim, eletrólitos, ferro e tireoide normais; perfil hormonal feminino dentro da variação do ciclo; zinco baixo (57). Sorologias: HIV, HCV e sífilis (VDRL) não reagentes e imunidade presente para hepatite B (anti-HBs reagente).

II.Antropometria & Bioimpedância
fotografia do "antes" — base para acompanhar a resposta ao tratamento
ParâmetroResultadoRef. / MetaStatus
Peso kg124,4altura 1,77 mBasal
IMC kg/m²39,7< 25Obesidade II
Massa gorda %48< 32 (F)Elevada
Massa magra %23preservar/aumentarA preservar
Metabolismo basal kcal/dia~2.000referência da bioimpedânciaBasal
Meta de peso kg80peso já sustentado antesAlvo
A meta de 80 kg não é arbitrária — é um peso que o corpo da Susana já conheceu e sustentou. Com a perda de gordura, é essencial preservar a massa magra (hoje 23%): proteína em toda refeição e musculação são os aliados diretos disso.
III.Metabolismo Glicêmico & Insulínico
eixo central do caso
ParâmetroResultadoRef. Lab.OtimizadoStatus
Glicemia de jejum mg/dL8670–9970–85Normal
Hemoglobina glicada (HbA1c) %5,90até 5,60< 5,30Pré-diabetes
Insulina basal µU/mL39,82,6–24,9< 7,0Elevada
HOMA-IR índice8,45≤ 2,70< 1,5Muito alterado
Glicemia média estimada mg/dL122,6derivada da HbA1cLimítrofe
Hiperinsulinismo compensatório franco: a glicemia ainda se mantém normal porque o pâncreas trabalha em grande excesso (HOMA-IR 8,45, mais de 3× o limite). É o alvo direto da tirzepatida — que sensibiliza à insulina e tende a derrubar o HOMA já nas primeiras semanas, prevenindo a progressão para diabetes.
IV.Perfil Lipídico
ParâmetroResultadoRef. Lab.OtimizadoStatus
Colesterol total mg/dL228< 190150–190Elevado
LDL-c mg/dL158,5< 115< 100Elevado
Colesterol não-HDL mg/dL191< 145< 130Elevado
HDL-c mg/dL37> 40> 50 (F)Baixo
Triglicérides mg/dL176< 150< 100Elevado
VLDL mg/dL32,5< 30Limítrofe
Dislipidemia mista (LDL e não-HDL altos, HDL baixo, TG elevados) — o padrão que acompanha a resistência insulínica. Conduta inicial: dieta, perda de peso e exercício; reavaliar o perfil lipídico em ~3 meses antes de considerar fármaco específico.
V.Marcadores Inflamatórios
ParâmetroResultadoRef. Lab.OtimizadoStatus
VHS (hemossedimentação) mm61≤ 20 (F)Muito elevada
PCR quantitativa mg/L5,5< 5,0< 1,0Elevada
Homocisteína µmol/L10,70< 15< 7,0Normal
Inflamação de baixo grau atribuível à adiposidade (tecido visceral metabolicamente ativo). Tende a cair com a perda de gordura. Se o VHS permanecer muito elevado após o emagrecimento, reavaliar para afastar outras causas.
VI.Metabolismo do Ferro
ParâmetroResultadoRef. Lab.Status
Ferro sérico µg/dL9537–145 (F)Normal
Ferritina (estoque) ng/mL157,013–150 (F)Adequada
Saturação de transferrina (IST) %26,620–55Normal
Metabolismo do ferro preservado — sem sinais de deficiência. Ferritina no limite superior pode ter componente de fase aguda (há inflamação presente), mas não exige conduta agora.
VII.Fígado, Rim & Eletrólitos
ParâmetroResultadoRef. Lab.Status
TGP (ALT) U/L21≤ 33 (F)Normal
TGO (AST) U/L17,6≤ 32 (F)Normal
GGT U/L345–36 (F)Normal
Fosfatase alcalina U/L90,035–104Normal
Albumina g/dL4,63,5–5,2Normal
Creatinina mg/dL0,790,50–0,90 (F)Normal
Ácido úrico mg/dL5,72,4–5,7Limite sup.
Relação albumina/creatinina urinária mcg/mg3,09< 30Normal
Sódio / Potássio mEq/L141 / 4,5135–145 / 3,5–5,5Normal
Cálcio / Magnésio mg/dL9,9 / 2,08,6–10,2 / 1,6–2,6Normal
Fígado, rim e eletrólitos íntegros. Transaminases e GGT normais afastam esteatose significativa; função renal e relação albumina/creatinina urinária normais. Observação: amilase e lipase não fizeram parte deste painel — vale ter um basal pancreático em mãos como referência durante o uso da tirzepatida (opcional).
VIII.Tireoide & Eixo Hormonal
ParâmetroResultadoRef. Lab.Status
TSH µUI/mL1,740,55–4,78Ótimo
T4 livre ng/dL1,110,89–1,76Normal
Cortisol (manhã) µg/dL9,44,8–19,5Normal
PTH intacto pg/mL76,7115–65Elevado (vit D)
Testosterona total / livre ng/dL26,2 / 0,3910–70 / 0,17–1,58Normal
Testosterona biodisponível ng/dL9,153,7–37,4Normal
SHBG / S-DHEA39,8 / 113normaisNormal
Estradiol / FSH / LH283 / 7,4 / 30,2variação do cicloPeriovulatório
Prolactina ng/mL21,84,8–23,3 (F)Normal
Tireoide ótima (não contribui para o peso). O PTH elevado (76,7) lê-se junto com a vitamina D baixíssima — é hiperparatireoidismo secundário, que tende a normalizar com a reposição de vit D. O perfil sexual é compatível com a fase do ciclo (estradiol e LH altos sugerem período periovulatório), sem hiperandrogenismo.
IX.Vitaminas, Micronutrientes & Sorologias
ParâmetroResultadoRef. Lab.Status
Vitamina D (25-OH) ng/mL11,7sufic. 20–60 · ót. 40–60Deficiência grave
Vitamina B12 pg/mL366197–771Normal
Zinco µg/dL5760–120 · ót. 80–110Baixo
HIV (Ag p24 + anti 1/2)Não reagentenão reagenteNegativo
Anti-HCV / VDRLNão reagentesnão reagenteNegativo
Hepatite B (HBsAg)Não reagentenão reagenteNegativo
Anti-HBs imunidadeReagente (18,1)> 10 = imuneImune
Vitamina D em deficiência grave (11,7) — reposição prioritária (esquema de ataque + manutenção), o que também corrige o PTH elevado. Zinco baixo (57) — otimizar. Sorologias virais e sífilis negativas, com imunidade presente para hepatite B.
X.Plano & Próximos Passos
1
Iniciar tirzepatida amanhã (25/06)Sem contraindicação nos exames. A resistência insulínica franca (HOMA 8,45) dá indicação plena. Início em 2,5 mg subcutânea, 1×/semana.
2
Repor vitamina DDeficiência grave (11,7) com PTH reativo (76,7). Esquema de ataque + manutenção; reavaliar 25-OH-vit D e PTH em ~8–12 semanas.
3
Água & exercício — os inegociáveisHematócrito no limite alto (46,9%) conversa com a baixa ingesta de água. Hidratação (meta ~3 L/dia) e musculação para proteger a massa magra (23%).
4
DislipidemiaLDL 158 / não-HDL 191 / HDL 37 / TG 176. Dieta + perda de peso + exercício; reavaliar lipídico em ~3 meses antes de fármaco.
5
Inflamação & zincoVHS 61 / PCR 5,5 — reavaliar com o emagrecimento. Otimizar zinco (57). Considerar basal de amilase/lipase como referência.
6
Próximo painel de controle (8–12 sem.)Glicemia, HbA1c, insulina/HOMA, lipídico, PCR/VHS, vitamina D/PTH, zinco e bioimpedância — para medir a resposta ao tratamento.
Nota técnica: análise elaborada a partir dos laudos laboratoriais (coleta 24/06/2026, Unimed) e da bioimpedância de consultório. HOMA-IR calculado a partir de glicemia e insulina de jejum (8,45). "Ref. Lab." reproduz faixas de referência para mulher adulta; "Otimizado" reflete faixas funcionais-alvo desta prática clínica e não substitui critérios diagnósticos convencionais. O perfil hormonal sexual deve ser lido conforme a fase do ciclo. Documento de apoio à consulta — não constitui laudo.